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Vésper

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Vésper

Do seu fastígio azul, serena e fria,

Desce a noite outonal, augusta e bela;

Vésper fulgura além... Vésper! Só ela

Todo o céu, doce e pálida, alumia.


De um mosteiro na cúpula irradia

Com frouxa luz... Em sua humilde cela,

Contemplativa e lânguida à janela,

Triste freira, fitando-a, se extasia...


Vésper, envolta em deslumbrante alvura,

Ó nuvens, que ides pelo espaço afora!

A quem tão longo olhar volve da altura?


Que olhar, irmão do seu, procura agora

Na terra o astro do amor? O olhar procura

Da solitária freira que o namora.


Publicado no livro Aleluias (1891).



No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.