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Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

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Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.


Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos


Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.


(Enlaçemos as mãos).



Depois pensemos, crianças adultas, que a vida


Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,


Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,


Mais longe que os deuses.



Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.


Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.


Mais vale saber passar silenciosamente.


E sem desassossegos grandes.

Ricardo Reis in Odes de Ricardo Reis


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Ricardo Reis

Ricardo Reis, um dos diversos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa. Segundo seu criador, ele nasceu em 1887, em Portugal, mas se exilou no Brasil a partir de 1919. Monarquista, epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo, sua poesia possui traços neoclássicos e tem como principal temática a efemeridade da vida.