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Tristeza de Momo

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Tristeza de Momo

Pela primeira vez, ímpias risadas

Susta em prantos o deus da zombaria;

Chora, e vingam-se dele, nesse dia,

Os silvanos e as ninfas ultrajadas;


Trovejam bocas mil escancaradas,

Rindo; arrombam-se os diques da alegria,

E estoira descomposta vozeria

Por toda a selva, e apupos e pedradas.


Fauno o indigita; a Náiade o caçoa;

Sátiros vis, da mais indigna laia,

Zombam. Não há quem dele se condoa!


E Eco propaga a formidável vaia,

Que além, por fundos boqueirões reboa,

E, como um largo mar, rola e se espraia...


No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.