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Tercetos

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Tercetos

I


Noite ainda, quando ela me pedia

Entre dois beijos que me fosse embora,

Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:


"Espera ao menos que desponte a aurora!

Tua alcova é cheirosa como um ninho...

E olha que escuridão há lá por fora!


Como queres que eu vá, triste e sozinho,

Casando a treva e o frio de meu peito

Ao frio e à treva que há pelo caminho?!


Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!

Não me arrojes à chuva e à tempestade!

Não me exiles do vale do teu leito!


Morrerei de aflição e de saudade...

Espera! até que o dia resplandeça,

Aquece-me com a tua mocidade!


Sobre o teu colo deixa-me a cabeça

Repousar, como há pouco repousava...

Espera um pouco! deixa que amanheça!"


— E ela abria-me os braços. E eu ficava.


Publicado no livro Poesias (1902). Poema integrante da série Alma Inquieta.


In: BILAC, Olavo. Poesias. Posfácio R. Magalhães Júnior. Rio de Janeiro: Ediouro, 197


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Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista e poeta brasileiro.