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Tão vago é o vento que parece

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Tão vago é o vento que parece

Tão vago é o vento que parece

Que as folhas fremem só por vida.

Dorme um calar em que se esquece

Em que é que o campo nos convida?


Não sei. Anónimo de mim,

Não posso erguer uma intenção

Do saco em que me sinto assim,

Caído nesse verde chão.


Com a alma feita em animal,

A quem o sol é um lombo quente.

Aceito como a brisa real

A sensação de ser quem sente.


E os olhos que me pesam baixo

Olham pela alma o campo e a estrada.

No chão um fósforo é o que acho.

Nas sensações não acho nada.


31/08/1930

Fernando Pessoa in Poesias Inéditas


No poetmi desde

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Fernando Pessoa

Escritor, Poeta e Filósofo Fernando Pessoa deixou-nos inúmeros poemas e reflexões tanto em seu nome como nos de seu heterônimos.