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Soneto [Pensas tu, bela Anarda, que os poetas

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Soneto [Pensas tu, bela Anarda, que os poetas

Pensas tu, bela Anarda, que os poetas

Vivem d'ar, de perfumes, d'ambrosia,

Que vagando por mares d'harmonia

São melhores que as próprias borboletas?


Não creias que eles sejam tão patetas,

Isso é bom, muito bom mas em poesia,

São contos com que a velha o sono cria

No menino que engorda a comer petas!


Talvez mesmo que algum desses brejeiros

Te diga que assim é, que os dessa gente

Não são lá dos heróis mais verdadeiros.


Eu que sou pecador, — que indiferente

Não me julgo ao que toca aos meus parceiros,

Julgo um beijo sem fim cousa excelente.


Rio de Janeiro, 1848.


Publicado no livro Obras Póstumas: precedidas de uma notícia da sua vida e obras pelo Dr. Antônio Henriques Leal (1868/1869).


In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.


No poetmi desde

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Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias foi um poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro. Filho de um comerciante português e uma mestiça viveu em um meio social conturbado. Em 1862, Gonçalves Dias foi para a Europa para tratamento de saúde. Sem resultados embarcou de volta no dia 10 de setembro de 1864, porém o navio francês Ville de Boulogne em que viajava, naufragou perto do Farol de Itacolomi, onde o poeta faleceu com 41 anos de idade.