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Este, que um deus cruel arremessou à vida,

Marcando-o com o sinal da sua maldição,

— Este desabrochou como a erva má, nascida

Apenas para aos pés ser calcada no chão.


De motejo em motejo arrasta a alma ferida...

Sem constância no amor, dentro do coração

Sente, crespa, crescer a selva retorcida

Dos pensamentos maus, filhos da solidão.


Longos dias sem sol! noites de eterno luto!

Alma cega, perdida à toa no caminho!

Roto casco de nau, desprezado no mar!


E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto;

E, homem há de morrer como viveu: sozinho!

Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão!

sem lar!



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Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista e poeta brasileiro.