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Se em verdade não sabes (nem sustentas

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Se em verdade não sabes (nem sustentas

Se em verdade não sabes (nem sustentas


Que sabes) que há na vida mais que a vida,


Porque com tanto esforço e cura tanta,


Operoso a não vives?



Porque, sem paraíso que apeteças,


Amontoas riquezas, nem as gastas,


É para teu cadáver que amontoas?


Gozas menos que ganhas.



Ah, se não tens que esperes, salvo a morte,


Não cures mais que do preciso esforço


Para passar incólume na vida


De (...)



Sim, gozas. Mas mais rico és que ditoso


Se só para o que perdes gozas,


Menos te o esforço oneraria,


Sem ele. (...)



Ah servidão irreprimível, nada


Da vida breve subsiste, que sabes


Que morre toda, e gasta-se nas obras


Egoísta de um futuro que não é seu.



Mas respondes-me: E os poemas que escreves


A quem os dás futuro? A obra obrigas


E o homem só por semear semeia


O que o Destino manda.


Ricardo Reis in Odes de Ricardo Reis


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Ricardo Reis

Ricardo Reis, um dos diversos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa. Segundo seu criador, ele nasceu em 1887, em Portugal, mas se exilou no Brasil a partir de 1919. Monarquista, epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo, sua poesia possui traços neoclássicos e tem como principal temática a efemeridade da vida.