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Rio Abaixo

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Rio Abaixo

Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...

Quase noite. Ao sabor do curso lento

Da água, que as margens em redor alaga,

Seguimos. Curva os bambuais o vento.


Vivo, há pouco, de púrpura, sangrento,

Desmaia agora o Ocaso. A noite apaga

A derradeira luz do firmamento...

Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.


Um silêncio tristíssimo por tudo

Se espalha. Mas a lua lentamente

Surge na fímbria do horizonte mudo:


E o seu reflexo pálido, embebido

Como um gládio de prata na corrente,

Rasga o seio do rio adormecido.


Publicado no livro Poesias, 1884/1887 (1888). Poema integrante da série Sarças de Fogo.


In: BILAC, Olavo. Obra reunida. Org. e introd. Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p.138. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira)


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Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista e poeta brasileiro.