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Que Cousa é um Ministro

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Que Cousa é um Ministro

I


O Ministro é a fênix que renasce

Das cinzas de outro, que lhe a vez cedeu:

Nasce num dia como o sol que nasce,

Morre numa hora como vil sandeu!


Se nódoas tem, uma excelência as caia;

Mortal sublime, que não sabe rir,

Do vulgo inglório não pertence à laia,

Dará conselhos, se se lhe pedir!


Um bípede de pasta, não de barro,

Nos pés se firma por favor de Deus!

Dois fardas-rotas trotam trás do carro

Em ruços magros como dois lebréus.


Agora, sim: temos a pátria salva,

Não fará este o que já o outro fez!

Grande estadista! basta ver-lhe a calva,

D'homem assim não há dizer — talvez!


Vede-lhe a pasta, que de cheia estala

Só de projetos que farão feliz

A pátria ingrata, que seus feitos cala,

Ou mais que ingrata, o nome seu maldiz!


(...)


Publicado no livro Obras Póstumas: precedidas de uma notícia da sua vida e obras pelo Dr. Antônio Henriques Leal (1868/1869).


In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959, v.


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Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias foi um poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro. Filho de um comerciante português e uma mestiça viveu em um meio social conturbado. Em 1862, Gonçalves Dias foi para a Europa para tratamento de saúde. Sem resultados embarcou de volta no dia 10 de setembro de 1864, porém o navio francês Ville de Boulogne em que viajava, naufragou perto do Farol de Itacolomi, onde o poeta faleceu com 41 anos de idade.