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Por aqueles, minha mãe

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Por aqueles, minha mãe

Por aqueles, minha mãe, que morreram, que caíram na batalha...

Dlôn — ôn — ôn — ôn...

Por aqueles, minha mãe, que ficaram mutilados no combate

Dlôn — ôn — ôn — ôn...

Por aqueles cuja noiva esperará sempre em vão...

Dlôn — ôn — ôn — ôn...

Sete vezes sete vezes murcharão as flores no jardim

Dlôn — ôn — ôn — ôn...

E os seus cadáveres serão do pó universal e anónimo

Dlôn — ôn — on — on...

E eles, quem sabe, minha mãe, sempre vivos [...] com esperança...

Loucos, minha mãe, loucos, porque os corpos morrem e a dor não morre...

Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...

Que é feito daquele que foi a criança que tiveste ao peito?

Dlôn...

Quem sabe qual dos desconhecidos monos ai é o teu filho

Dlôn...

Ainda tens na gaveta da cómoda os seus bibes de criança...

Ainda há nos caixotes da dispensa os seus brinquedos velhos...

Ele hoje pertence a uma podridão [...] in France.

Ele que foi tanto para ti, tudo, tudo, tudo...

Olha, ele não é nada no geral holocausto da história

Dlôn — dlôn...

Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...

Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...

Dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn — dlôn...

Álvaro de Campos in Poesias de Álvaro de Campos


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Álvaro de Campos

O Poeta Álvaro de Campos é um dos mais importantes heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo Fernando Pessoa nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.