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Plutão

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Plutão

Negro, com os olhos em brasa,

Bom, fiel e brincalhão,

Era a alegria da casa

O corajoso Plutão.


Fortíssimo, ágil no salto,

Era o terror dos caminhos,

E duas vezes mais alto

Do que o seu dono Carlinhos.


Jamais à casa chegara

Nem a sombra de um ladrão;

Pois fazia medo a cara

Do destemido Plutão.


Dormia durante o dia,

Mas, quando a noite chegava,

Junto à porta se estendia,

Montando guarda ficava.


Porém Carlinhos, rolando

Com ele às tontas no chão,

Nunca saía chorando

Mordido pelo Plutão . . .


Plutão velava-lhe o sono,

Seguia-o quando acordado:

O seu pequenino dono

Era todo o seu cuidado.


Um dia caíu doente

Carlinhos . . . Junto ao colchão

Vivia constantemente

Triste e abatido, o Plutão.


Vieram muitos doutores,

Em vão. Toda a casa aflita,

Era uma casa de dores,

Era uma casa maldita.


Morreu Carlinhos . . . A um canto,

Gania e ladrava o cão;

E tinha os olhos em pranto,

Como um homem, o Plutão.


Depois, seguiu o menino,

Seguiu-o calado e sério;

Quis ter o mesmo destino:

Não saíu do cemitério.


Foram um dia à procura

Dele. E, esticado no chão,

Junto de uma sepultura,

Acharam morto o Plutão.



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Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista e poeta brasileiro.