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P-HÁ

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P-HÁ

Hoje, que sinto nada a vontade, e não sei que dizer,

Hoje, que tenho a inteligência sem saber o que querer,

Quero escrever o meu epitáfio: Álvaro de Campos jaz

Aqui, o resto a Antologia grega traz...

E a que propósito vem este bocado de rimas?

Nada... Um amigo meu, chamado (suponho) Simas,

Perguntou-me na rua o que é que estava a fazer,

E escrevo estes versos assim em vez de lho não saber dizer.

É raro eu rimar, e é raro alguém rimar com juízo.

Mas às vezes rimar é preciso.

Meu coração faz pá como um saco de papel socado

Com força, cheio de sopro, contra a parede do lado.

E o transeunte, num sobressalto, volta-se de repente

E eu acabo este poema indeterminadamente.

Álvaro de Campos in Poesias de Álvaro de Campos


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Álvaro de Campos

O Poeta Álvaro de Campos é um dos mais importantes heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo Fernando Pessoa nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.