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Ofélia

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Ofélia

Num recesso da selva ínvia e sombria,

Estrelada de flores, vicejante,

Onde um rio entre seixos, espumante,

Cursando o vale, túrgido, fluía;


A coma esparsa, lívido o semblante,

Desvairados os olhos, como fria

Aparição dos túmulos, um dia

Surgiu de Hamlet a lacrimosa amante;


Símplices flores o seu porte lindo

Ornavam... como um pranto, iam caindo

As folhas de um salgueiro na corrente...


E na corrente ela também tombando,

Foi-se-lhe o corpo alvíssimo boiando

Por sobre as águas indolentemente.


Publicado no livro Sinfonias (1882). Primeiro da série Perfis Românticos, constituída por oito sonetos.


No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.