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O meu olhar é nítido como um girassol

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O meu olhar é nítido como um girassol

O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...


Creio no Mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…


Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,

Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe porque ama, nem o que é amar...


Amar é a eterna inocência,

E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro in O Guardador de Rebanhos


No poetmi desde 2022-08-07 08:15:19

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Alberto Caeiro

Alberto Caeiro, embora seja um heterónimo de Fernando Pessoa, é um poeta tão grandioso e autêntico como seu criador, sendo chamado de “Mestre” pelos outros heterónimos. Era considerado racional e objetivo. Escreveu O Guardador de Rebanhos, um conjunto de 49 poemas.