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Nuvem Branca

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Nuvem Branca

Dizei-me: é ela a noiva casta e pura,

Que no alvor dessa nuvem rutilante,

Passa agora? Dizei-me, nesse instante,

Turbilhões de translúcida brancura;


Colar, broches de pérolas e opalas;

Gaza que, em níveos flocos, por formosas,

Rijas pomas de mármore, ondulosas

Curvas e espáduas de marfim, resvalas...


Dizei-me, branca, virginal capela;

Nítida espuma de nevadas rendas;

Alvos botões de laranjeira; prendas

Simbólicas do amor; dizei-me: é ela?


É ela a noiva? É mesto, ou prazenteiro,

Seu doce olhar? Sorri alegre, ou chora,

Seu semblante gentil oculto agora

Do espesso véu no alvíssimo nevoeiro?


É ela, sim! Su’alma, entre os fulgores

Das claras tochas cândidas e ardentes,

Nas querúbicas asas transparentes,

Voa, festiva, a um tálamo de flores...


Mistérios nupciais, só vos devassa

Um louco amante! Ao seu olhar ansioso

Velais debalde o arcanjo, o astro radioso

Que, dentro dessa nuvem branca, passa...


Publicado no livro Aleluias (1891).



No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.