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Noites de Inverno

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Noites de Inverno

Enquanto a chuva cai, grossa e torrencial,

Lá fora; e enquanto, ó bela!

A lufada glacial

Tamborila a bater nos vidros da janela;


Dentro, esse áureo torçal

Do cabelo que, rico, em ondas se encapela,

Deslaça; e o alvor ideal

Do teu corpo à avidez do meu olhar revela;


Porque, à avidez do olhar

Do amante, é grato, ao menos,

Destas noites no longo e monótono curso,


— Claro como o luar —

Ver um busto de Vênus

Surgir dentre as lãs e dentre as peles de urso.


Publicado no livro Versos e Versões, 1883/1886 (1887).


No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.