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Não me deixes!

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Não me deixes!

Debruçada nas águas dum regato

A flor dizia em vão

À corrente, onde bela se mirava:

"Ai, não me deixes, não!


"Comigo fica ou leva-me contigo

"Dos mares à amplidão;

"Límpido ou turvo, te amarei constante;

"Mas não me deixes, não!"


E a corrente passava; novas águas

Após as outras vão;

E a flor sempre a dizer curva na fonte:

"Ai, não me deixes, não!"


E das águas que fogem incessantes

À eterna sucessão

Dizia sempre a flor, e sempre embalde:

"Ai, não me deixes, não!"


Por fim desfalecida e a cor murchada,

Quase a lamber o chão,

Buscava inda a corrente por dizer-lhe

Que a não deixasse, não.


A corrente impiedosa a flor enleia,

Leva-a do seu torrão;

A afundar-se dizia a pobrezinha:

"Não me deixaste, não!"


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Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias foi um poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro. Filho de um comerciante português e uma mestiça viveu em um meio social conturbado. Em 1862, Gonçalves Dias foi para a Europa para tratamento de saúde. Sem resultados embarcou de volta no dia 10 de setembro de 1864, porém o navio francês Ville de Boulogne em que viajava, naufragou perto do Farol de Itacolomi, onde o poeta faleceu com 41 anos de idade.