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Não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.

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Não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.

Não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.


Tu não és mais que um deus a mais no eterno


Pantéon que preside


À nossa vida incerta.



Nem maior nem menor que os novos deuses,


Tua sombria forma dolorida


Trouxe algo que faltava


Ao número dos divos.



Por isso reina a par de outros no Olimpo,


Ou pela triste terra se quiseres


Vai enxugar o pranto


Dos humanos que sofrem.



Não venham, porém, estultos teus cultores


Em teu nome vedar o eterno culto


Das presenças maiores


E parceiras da tua.



A esses, sim, do âmago eu odeio


Do crente peito, e a esses eu não sigo,


Supersticiosos leigos


Na ciência dos deuses.



Ah, aumentai, não combatendo nunca.


Enriquecei o Olimpo, aos deuses dando


Cada vez maior força


Plo número maior.



Basta os males que o Fado as Parcas fez


Por seu intuito natural fazerem.


Nós homens nos façamos


Unidos pelos deuses.


Ricardo Reis in Odes de Ricardo Reis


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Ricardo Reis

Ricardo Reis, um dos diversos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa. Segundo seu criador, ele nasceu em 1887, em Portugal, mas se exilou no Brasil a partir de 1919. Monarquista, epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo, sua poesia possui traços neoclássicos e tem como principal temática a efemeridade da vida.