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Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,

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Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,

Que felicidade há sempre!


Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.

São felizes, porque não são eu.


As crianças, que brincam às sacadas altas,

Vivem entre vasos de flores,

Sem dúvida, eternamente.


As vozes, que sobem do interior do doméstico,

Cantam sempre, sem dúvida.

Sim, devem cantar.


Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.

Assim tem que ser onde tudo se ajusta –

O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.


Que grande felicidade não ser eu!


Mas os outros não sentirão assim também?

Quais outros? Não há outros.

O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,

Ou, quando se abre,

É para os crianças brincarem na varanda de grades,

Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.


Os outros nunca sentem.

Quem sente somos nós,

Sim, todos nós,

Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.


Nada? não sei...

Um nada que dói...


16/06/1934

Álvaro de Campos in Poesias de Álvaro de Campos


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Álvaro de Campos

O Poeta Álvaro de Campos é um dos mais importantes heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo Fernando Pessoa nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.