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Meu Anjo, Escuta

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Meu Anjo, Escuta

Le mal dont j'ai souffert s'est enfui comme un rêve,

Je n'en puis comparer le lontain souvenir

Qu'à ces brouillards légers que l'aurore soulève

Et qu'avec la rosée on voit s'évanouir.

MUSSET


Meu anjo, escuta: quando junto à noite

Perpassa a brisa pelo rosto teu,

Como suspiro que um menino exala;

Na voz da brisa quem murmura e fala

Brando queixume, que tão triste cala

No peito teu?

Sou eu, sou eu, sou eu!


Quando tu sentes lutuosa imagem

D'aflito pranto com sombrio véu,

Rasgado o peito por acerbas dores;

Quem murcha as flores

Do brando sonho? — Quem te pinta amores

Dum puro céu?

Sou eu, sou eu, sou eu!


Se alguém te acorda do celeste arroubo,

Na amenidade do silêncio teu,

Quando tua alma noutros mundos erra,

Se alguém descerra

Ao lado teu

Fraco suspiro que no peito encerra;

Sou eu, sou eu, sou eu!


Se alguém se aflige de te ver chorosa,

Se alguém se alegra co'um sorriso teu,

Se alguém suspira de te ver formosa

O mar e a terra a enamorar e o céu;

Se alguém definha

Por amor teu,

Sou eu, sou eu, sou eu!


Publicado no livro Últimos Cantos (1851). Poema integrante da série Poesias Diversas.


In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.


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Gonçalves Dias

Antônio Gonçalves Dias foi um poeta, advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro. Filho de um comerciante português e uma mestiça viveu em um meio social conturbado. Em 1862, Gonçalves Dias foi para a Europa para tratamento de saúde. Sem resultados embarcou de volta no dia 10 de setembro de 1864, porém o navio francês Ville de Boulogne em que viajava, naufragou perto do Farol de Itacolomi, onde o poeta faleceu com 41 anos de idade.