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Meu amor perdido, não te choro mais, que eu não te perdi!

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Meu amor perdido, não te choro mais, que eu não te perdi!

Meu amor perdido, não te choro mais, que eu não te perdi!

Porque posso perder-te na rua, mas não posso perder-te no ser,

Que o ser é o mesmo em ti e em mim.


Muito é ausência, nada é perda!

Todos os mortos — gente, dias, desejos,

Amores, ódios, dores, alegrias —

Todos estão apenas em outro continente...

Chegará a vez de eu partir e ir vê-los.

De se reunir a família e os amantes e os amigos

Em abstracto, em real, em perfeito

Em definitivo e divino.


Reunir-me-ei em vida e morte

Aos sonhos que não realizei

Darei os beijos nunca dados,

Receberei os sorrisos, que me negaram,

Terei em forma de alegria as dores que tive...


Ah, comandante, quanto tarda ainda

A partida do transatlântico?

Faz tocar a banda de bordo —

Músicas alegres, banais, humanas, como a vida —

Faz partir, que eu quero partir...


Som do erguer do ferro, meu estertor

Quando é que por fim eu te ouvirei?

Fremir do costado pela pulsação das máquinas —

Meu coração no bater final convulso —,


[Toque de vigias, suspiros do porto?]

(...)

Lenços a acenarem-me do cais em que ficam...

Até mais tarde, até quando vierdes, até sempre!

Até o eterno em alegre Agora,

Até o (...)

Álvaro de Campos in Poesias de Álvaro de Campos


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Álvaro de Campos

O Poeta Álvaro de Campos é um dos mais importantes heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo Fernando Pessoa nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.