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In Extremis

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In Extremis

Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia

Assim! de um sol assim!

Tu, desgrenhada e fria,

Fria! postos nos meus os teus olhos molhados,

E apertando nos teus os meus dedos gelados...


E um dia assim! de um sol assim! E assim a esfera

Toda azul, no esplendor do fim da primavera!

Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!

Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento

Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...


E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! e este medo!

Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,

E arredar-me de ti, cada vez mais, a morte...


Eu, com o frio a crescer no coração, — tão cheio

De ti, até no horror do derradeiro anseio!

Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,

A boca que beijava a tua boca ardente,

A boca que foi tua!


E eu morrendo! e eu morrendo

Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo

Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,

A delícia da vida! a delícia da vida!


Publicado no livro Poesias (1902). Poema integrante da série Alma Inquieta.


In: BILAC, Olavo. Poesias. Posfácio R. Magalhães Júnior. Rio de Janeiro: Ediouro, 197


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Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista e poeta brasileiro.