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Flor de Caverna

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Flor de Caverna

Fica às vezes em nós um verso a que a ventura

Não é dada jamais de ver a luz do dia;

Fragmento de expressão de idéia fugidia,

Do pélago interior bóia na vaga escura.


Sós o ouvimos conosco; à meia voz murmura,

Vindo-nos da consciência a flux, lá da sombria

Profundeza da mente, onde erra e se enfastia,

Cantando, a distrair os ócios da clausura.


Da alma, qual por janela aberta par e par,

Outros livre se vão, voejando cento e cento

Ao sol, à vida, à glória e aplausos. Este não.


Este aí jaz entaipado, este aí jaz a esperar

Morra, volvendo ao nada, — embrião de pensamento

Abafado em si mesmo e em sua escuridão.


Publicado no livro Poesias, 1912/1925: quarta série (1927). Poema integrante da série Alma e Céu.


In: OLIVEIRA, Alberto de. Poesias completas. Ed. crít. Marco Aurélio Mello Reis. Rio de Janeiro: Núcleo Ed. da UERJ, 1979. v.3. (Fluminense


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Alberto de Oliveira

Antônio Mariano de Oliveira, foi um poeta, professor e farmacêutico brasileiro. Figura como líder do Parnasianismo brasileiro, na famosa tríade Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac.