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Esta Tarde a Trovoada Caiu

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"Esta Tarde a Trovoada Caiu" é um poema de Alberto Caeiro, um dos heterônimos utilizados por Fernando Pessoa para escrever sua poesia. Este poema fala sobre a chegada da trovoada numa tarde de verão, e sobre os efeitos da tempestade sobre o mundo ao seu redor. O poema começa descrevendo a chegada da trovoada, que surge de repente no céu, trazendo consigo um vento forte e uma chuva intensa. A tempestade é descrita como uma força da natureza poderosa e imprevisível, que transforma o mundo ao seu redor e o deixa limpo e renovado. O poema fala sobre como a trovoada traz uma sensação de paz e tranquilidade, e como ela nos convida a refletir sobre a nossa própria vida e sobre os ciclos da natureza. "Esta Tarde a Trovoada Caiu" é um poema lírico e naturalista, que celebra a beleza e a força da natureza. É uma obra que fala diretamente ao coração e que nos convida a apreciar os pequenos prazeres da vida e a refletir sobre o mundo ao nosso redor.

Esta Tarde a Trovoada Caiu

Esta tarde a trovoada caiu

Pelas encostas do céu abaixo

Como um pedregulho enorme...

Como alguém que duma janela alta

Sacode uma toalha de mesa,

E as migalhas, por caírem todas juntas,

Fazem algum barulho ao cair,

A chuva chovia do céu

E enegreceu os caminhos ...


Quando os relâmpagos sacudiam o ar

E abanavam o espaço

Como uma grande cabeça que diz que não,

Não sei porquê — eu não tinha medo —

pus-me a rezar a Santa Bárbara

Como se eu fosse a velha tia de alguém...


Ah! é que rezando a Santa Bárbara

Eu sentia-me ainda mais simples

Do que julgo que sou...

Sentia-me familiar e caseiro

E tendo passado a vida

Tranqüilamente, como o muro do quintal;

Tendo idéias e sentimentos por os ter

Como uma flor tem perfume e cor...


Sentia-me alguém que nossa acreditar em Santa Bárbara...

Ah, poder crer em Santa Bárbara!


(Quem crê que há Santa Bárbara,

Julgará que ela é gente e visível

Ou que julgará dela?)


(Que artifício! Que sabem

As flores, as árvores, os rebanhos,

De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,

Se pensasse, nunca podia

Construir santos nem anjos...

Poderia julgar que o sol

É Deus, e que a trovoada

É uma quantidade de gente

Zangada por cima de nós ...

Ali, como os mais simples dos homens

São doentes e confusos e estúpidos

Ao pé da clara simplicidade

E saúde em existir

Das árvores e das plantas!)


E eu, pensando em tudo isto,

Fiquei outra vez menos feliz...

Fiquei sombrio e adoecido e soturno

Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça

E nem sequer de noite chega.

Alberto Caeiro in O Guardador de Rebanhos


No poetmi desde 2022-12-25 16:24:02

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Alberto Caeiro

Alberto Caeiro, embora seja um heterónimo de Fernando Pessoa, é um poeta tão grandioso e autêntico como seu criador, sendo chamado de “Mestre” pelos outros heterónimos. Era considerado racional e objetivo. Escreveu O Guardador de Rebanhos, um conjunto de 49 poemas.