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Epístola ao Bardo Muniz

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Epístola ao Bardo Muniz

Cala-te, esdrúxulo lírico;

Teu estro é bandulho hidrópico!

Olha as garras de um satírico!

Cala-te, esdrúxulo lírico!

Teu verso ao leitor empírico

Fere de tópico em tópico...

Cala-te, esdrúxulo lírico;

Teu estro é bandulho hidrópico!


(...)


Nos teus preitos esquipáticos

Citas tanto bardo, — Hipócrates!

Citas autores dramáticos

Nos teus preitos esquipáticos

Citas talentos simpáticos!

Citas Camões! Citas Sócrates!

Nos teus preitos esquipáticos

Citas tanto bardo, — Hipócrates!


Muniz! tu causas-nos cólicas!

Erudito de catálogos!

Pondo as almas melancólicas,

Muniz! tu causas-nos cólicas!

Faze antes canções bucólicas,

Mas nunca preitos análogos!

Muniz! tu causas-nos cólicas

Erudito de catálogos!


Deita antes verso byrônico,

Mas, rápido, a velocípede...

Sê ferino, sê irônico!

Deita antes verso byrônico!

Que diabo! Isso é vício crônico!

Espanta que sejas bípede!

Deita antes verso byrônico,

Mas, rápido, a velocípede...


Larga essa lira caquética!

Ouve! e desculpa esta epístola!

Ó professor de dialética!

Larga essa lira caquética!

Porque antes não curas ética,

Pústula, escrófula e fístula!

Larga essa lira caquética!

Ouve! e desculpa esta epístola!



No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.