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Cumpre a lei, seja vil ou vil tu sejas.

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Cumpre a lei, seja vil ou vil tu sejas.

Cumpre a lei, seja vil ou vil tu sejas.


Pouco pode o homem contra a externa vida.


Deixa haver a injustiça.


Nada muda, que mudes.



Não tens mais reino que a doada mente.


Essa, em que és servo, grato o Fado e os Deuses,


Governa, até à fronteira,


Onde a vontade finge.



Aí vencido, tu por vencedores


Os grandes deuses e o Destino ostentas.


Não há a dupla derrota


De derrota e vileza.



Assim penso, e esta súbita justiça


Com que queremos moderar as cousas,


Expilo, como a um servo


Intromissor da mente.



Se nem de mim posso ser dono, como


Quero ser dono ou lei do que acontece


Onde me a mente e corpo


Não são mais do que parte?



Basta-me que me baste, e o resto gire


Na órbita prevista, em que até os deuses


Giram, sois centros servos


De um movimento externo.

Ricardo Reis in Odes de Ricardo Reis


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Ricardo Reis

Ricardo Reis, um dos diversos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa. Segundo seu criador, ele nasceu em 1887, em Portugal, mas se exilou no Brasil a partir de 1919. Monarquista, epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo, sua poesia possui traços neoclássicos e tem como principal temática a efemeridade da vida.