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Chuva e Sol

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Chuva e Sol

Agrada à vista e à fantasia agrada

Ver-te, através do prisma de diamantes

Da chuva, assim ferida e atravessada

Do sol pelos venábulos radiantes...


Vais e molhas-te, embora os pés levantes:

– Par de pombos, que a ponta delicada

Dos bicos metem nágua e, doidejantes,

Bebem nos regos cheios da calçada...


Vais, e, apesar do guarda-chuva aberto,

Borrifando-te colmam-te as goteiras

De pérolas o manto mal coberto;


E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,

Estrelas falsas, mas que assim de perto,

Rutilam tanto, como as verdadeiras...


Publicado no livro Versos e Versões (1887).



No poetmi desde 2022-08-15 02:00:24

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Raimundo Correia

Raimundo da Mota de Azevedo Correia magistrado, professor, diplomata e poeta, formou-se em Direito pela Faculdade do Largo de S. Francisco, em São Paulo, e exerceu sua profissão no cargo de Juiz de Direito no interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.