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Cegueira bendita

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Cegueira bendita

Ando perdida nestes sonhos verdes

De ter nascido e não saber quem sou,

Ando ceguinha a tatear paredes

E nem ao menos sei quem me cegou!

Não vejo nada, tudo é morto e vago...

E a minha alma cega, ao abandono

Faz-me lembrar o nenúfar dum lago

́Stendendo as asas brancas cor do sonho...

Ter dentro d ́alma na luz de todo o mundo

E não ver nada nesse mar sem fundo,

Poetas meus irmãos, que triste sorte!...

E chamam-nos a nós Iluminados!

Pobres cegos sem culpas, sem pecados,

A sofrer pelos outros té à morte!

Florbela Espanca in A Mensageira das Violetas


No poetmi desde 2022-08-07 00:05:57

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Florbela Espanca

Poetisa , Florbela Espanca deixou-nos belos poemas e reflexões.