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Campina e trigo, campina,

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Campina e trigo, campina,

Campina e trigo, campina,

Campina e trigo.)

Como ao som de uma marcha ao mesmo tempo marcial e fúnebre,

[...] e alegria e temor

Rompem...

A vida é antagonismo, [...]?


Queda de impérios, tudo a fugir... sangue, ruídos... tumultos

Amontoamentos de coisas pilhadas num saque,

Despensas junto das cidades, entre casas caídas,

Choros, raivas, inferno de som,

A vida e a sua tragédia toda vivida num dia, numa hora...

Todo o mistério e horror de nos acontecerem coisas

Todo o horror de quem vive sossegado e de repente vê a morte

Vê o inferno, [...]

(Pobre de [...]!)

Tudo quebrado, tudo ferido, tudo diverso de quando era normal a vida...


(Ditosos os que morrem logo depois de nascer

E para quem a luz da vida não é mais do que um relâmpago no horizonte!)

(Poder pensar claro neste assunto!

Poder ver bem e sem sofrer ser outro o que é isto!

Ah quem me dera ter o coração ampliado e arrumado

Como um interior de casa de família de gente que tem com que viver!)

E o ruído dos saques, o fragor das batalhas, os choros, as mágoas, os (...)

Os choques dos homens

São um mar de confusão onde a nossa lucidez se afunda.

Perco-me de compreender...

Apanho-me nessa tragédia de pasmo humanitário.

Álvaro de Campos in Poesias de Álvaro de Campos


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Álvaro de Campos

O Poeta Álvaro de Campos é um dos mais importantes heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo Fernando Pessoa nasceu em Tavira, no extremo sul de Portugal. Estudou Engenharia Naval, na Escócia. No entanto, não exerceu a profissão por não poder suportar viver confinado em escritórios.