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Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa

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Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa

Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa

Substitui o calor.

P'ra ser feliz tanta coisa é precisa.

Este luzir é melhor.


O que é a vida? O espaço é alguém para mim.

Sonhando sou eu só.

A luzir, em quem não tem fim

E, sem querer, tem dó.


Extensa, leve, inútil passageira,

Ao roçar por mim traz

Uma ilusão de sonho, em cuja esteira

A minha vida jaz.


Barco indelével pelo espaço da alma,

Luz da candeia além

Da eterna ausência da ansiada calma,

Final do inútil bem.


Que se quer, e, se veio, se desconhece

Que, se flor, seria

O tédio de o haver... E a chuva cresce

Na noite agora fria.


18/09/1920

Fernando Pessoa in Poesias Inéditas


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Fernando Pessoa

Escritor, Poeta e Filósofo Fernando Pessoa deixou-nos inúmeros poemas e reflexões tanto em seu nome como nos de seu heterônimos.