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Beija-Flores

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Beija-Flores

Os beija-flores, em festa,

Com o sol, com a luz, com os rumores,

Saem da verde floresta,

Como um punhado de flores.


E abrindo as asas formosas,

As asas aurifulgentes,

Feitas de opalas ardentes

Com coloridos de rosas,


Os beija-flores, em bando,

Boêmios enfeitiçados,

Vão como beijos voando

Por sobre os virentes prados;


Sobem às altas colinas,

Descem aos vales formosos,

E espraiam-se após ruidosos

Pela extensão das campinas.


Depois, sussurrando a flux

Dos cactos ensanguentados,

Bailam nos prismas da luz,

De solto pólen dourados.


Ah! como a orquídea estremece

Ao ver que um deles, mais vivo,

Até seu gérmen lascivo

Mergulha, interna-se, desce...


E não haver uma rosa

De tantas, uma açucena,

Uma violeta piedosa,

Que quando a morte sem pena


Um destes seres fulmina,

Abra-se em férvido enleio,

Como a alma de uma menina,

Para guardá-lo no seio!


Publicado no livro Meridionais (1884).


In: OLIVEIRA, Alberto de. Poesias completas. Ed. crít. Marco Aurélio Mello Reis. Rio de Janeiro: Núcleo Ed. da UERJ, 1978. v.1. p. 101-102 (Fluminense


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Alberto de Oliveira

Antônio Mariano de Oliveira, foi um poeta, professor e farmacêutico brasileiro. Figura como líder do Parnasianismo brasileiro, na famosa tríade Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac.