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A voz da Tília

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A voz da Tília

Diz-me a tília a cantar: "Eu sou sincera,

Eu sou isto que vês: o sonho, a graça,

Deu ao meu corpo, o vento, quando passa,

Este ar escultural de bayadera...


E de manhã o sol é uma cratera,

Uma serpente de ouro que me enlaça...

Trago nas mãos as mãos da primavera...

E é para mim que em noites de desgraça

Toca o vento Mozart, triste e solene,

E à minha alma vibrante, posta a nu,

Diz a chuva sonetos de Verlaine..."


E, ao ver-me triste, a tília murmurou:

"Já fui um dia poeta como tu...

Ainda hás de ser tília como eu sou..."

Florbela Espanca in A Mensageira das Violetas


No poetmi desde 2022-08-07 00:34:06

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Florbela Espanca

Poetisa , Florbela Espanca deixou-nos belos poemas e reflexões.