imagem alusiva a A Ronda Noturna

A Ronda Noturna

PoetMi.com

A Ronda Noturna

Noite cerrada, tormentosa, escura,

Lá fora. Dormem em trevas o convento.

Queda imoto o arvoredo. Não fulgura

Uma estrela no torvo firmamento.


Dentro é tudo mudez. Flébil murmura,

De espaço a espaço, entanto, a voz do vento:

E há um rasgar de sudários pela altura,

Passo de espectros pelo pavimento...


Mas, de súbito, os gonzos das pesadas

Portas rangem... Ecoa surdamente

Leve rumor de vozes abafadas.


E, ao clarão de uma lâmpada tremente,

Do claustro sob as tácitas arcadas

Passa a ronda noturna, lentamente...


Publicado no livro Poesias, 1884/1887 (1888). Poema integrante da série Panóplias.


In: BILAC, Olavo. Poesias. Posfácio R. Magalhães Júnior. Rio de Janeiro: Ediouro, 197


No poetmi desde

Avatar do autor do poema

Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista e poeta brasileiro.