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A flor que és, não a que dás, eu quero. [2]

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A flor que és, não a que dás, eu quero. [2]

Ad juvenem rosam offerentem




A flor que és, não a que dás, eu quero.


Porque me negas o que te não peço?


Tão curto tempo é a mais longa vida,


E a juventude nela!



Flor vives, vã; porque te flor não cumpres?


Se te sorver esquivo o infausto abismo,


Perene velarás, absurda sombra,


O que não dou buscando.



Na oculta margem onde os lírios frios


Da infera leiva crescem, e a corrente


Monótona, não sabe onde é o dia,


Sussurro gemebundo.

Ricardo Reis in Odes de Ricardo Reis


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Ricardo Reis

Ricardo Reis, um dos diversos heterônimos do escritor português Fernando Pessoa. Segundo seu criador, ele nasceu em 1887, em Portugal, mas se exilou no Brasil a partir de 1919. Monarquista, epicurista, partidário do estoicismo e do paganismo, sua poesia possui traços neoclássicos e tem como principal temática a efemeridade da vida.